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Breve depoimento de 51 anos de vida uspiana

Breve depoimento de 51 anos de vida uspiana

Por Cremilda Medina

Um depoimento, sim, de memórias lúdicas, pois a Farra é nossa Alforria (alusão ao título de um dos livros da série São Paulo de Perfil, 1992, em que meus alunos de graduação escreveram a saga de como o paulistano se diverte).

Em 2021, segundo ano da pandemia Covid-19, completava 60 anos de vida universitária – uma década em Porto Alegre, cinco em São Paulo. O isolamento que já vai se lançando no terceiro ano, é um convite às memórias. Em oficina de Narrativas da Contemporaneidade que ofereço a grupos da terceira idade, propus, em 2020, que narrássemos experiências de lazer em São Paulo. À época, a inspiração dessa pauta surgiu de um debate transdisciplinar na graduação da ECA/USP nos anos 1990, em que convidei um grupo de psicólogos para discutir o tema do lazer, escolhido pelos alunos para um dos livros da Série São Paulo de Perfil. Uma espécie de terapia de grupo para atenuar a visão ideológica estratificada dos divertimentos como alienação da realidade. Pois foi tão rico tanto o intercâmbio de ideias com psicólogos quanto a captação de experiências de lazer em São Paulo que Farra, alforria, um livro-reportagem, culmina numa libertária ou lúdica vivência da arte em um hospício de São Paulo (ou a experiência da Arte Incomum, como nomeava à época o psicanalista João Freyze-Pereira da USP).

O certo é que, na pandemia de 2020, a casa se isolou da rua, uma ruptura considerável em minha trajetória preferencial de repórter. Recorro ao passado distante: estava no terceiro ano colegial (ou “clássico”, ensino médio voltado para humanas) e tomei a decisão de fazer vestibular, em dezembro de 1960, para Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). (Meu pai, José Pereira de Araújo, saudosa memória, achou um desplante, um desperdício de inteligência escolher essa carreira e, para acalmá-lo, também prestei vestibular para Letras Clássicas – gostava muito de latim.) Apesar da dupla estrada acadêmica, a primeira opção foi a Rua, bem como as Viagens ao Outro e sua Circunstância. A segunda opção me concentrava no laboratório da sala de aula como educadora na esfera de Língua e Literatura. Diga-se de passagem, que, no segundo caso, nunca desenvolvi o projeto educacional entre quatro paredes ou em filas alinhadas de carteiras – aprendi a pesquisar para cada aula a pedagogia cúmplice com o mundo exterior à escola, interrogando as demandas sociais para aprofundar no conhecimento acadêmico.  O fato é que 60 anos de múltiplos ares e convivência coletiva, principalmente no trânsito da reportagem, vieram desaguar hoje no particular aprisionamento à casa. Não por acaso, registrei em livro aos 70 anos, a paixão de repórter pela rua, em Casas da Viagem, de bem com a vida ou afetos do mundo (São Paulo, edição de autor, 2012). E neste momento, às vésperas dos 80 anos, registrei os cotidianos do isolamento com uma janela aberta para as Memórias Lúdicas, em tempos de pandemia, 2020-2021, cotidianos e narradores.

Não me encontro, pois, predisposta a recordar momentos da dor atual ou momentos de indignação e ameaças da ditadura militar que atingiu a sociedade brasileira justamente na noite de minha formatura em Jornalismo na Porto Alegre do dia 31 de março de 1964. Não quero me deter também em frustrações e obstáculos profissionais nestas tumultuadas décadas em que me lancei, com curiosidade e estudos, à saga contemporânea do humano ser, sua diversidade, contradições, desafios de Sobre Vivências (um dos títulos de outro projeto de pesquisa, o nº 4 da série Novo Pacto da Ciência, 1995). A entrega foi definida antes da noite da formatura, logo no primeiro ano dos dois cursos da mesma universidade em 1961: a fiel trajetória da Epistemologia da Dialogia Social – atual linha de trabalho como professora titular sênior da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Devo muito a professores e parceiros de caminhada. São ao mesmo tempo memórias lúdicas e inovadoras no laboratório das epistemologias a que o labor universitário dá sua assinatura. Uma sedução que se expande do brilho dos olhos do pesquisador para seu aluno-parceiro. Assim foi no curso de didática da Universidade Federal em Porto Alegre quando, nos primeiros alvores da década de 1960, nos foi presenteada a concepção que nascera do pós-Segunda Guerra, em síntese, a Nova Escola e a viragem do ensino para a conjugação sujeito/educador e sujeito/educando nas dinâmicas de ensino-aprendizagem. (Em meu livro, O signo da relação, comunicação e pedagogia dos afetos, Paulus, 2006, dedico um capítulo, “Caderno de anotações didáticas”, à vertente inovadora desencadeada pelos professores do curso de Letras e que vai se conjugar tanto na prática pedagógica quanto na prática do Ato de Reportar, quando se ensaia a efetiva comunicação social. Em nome desses mestres de didática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), rendo a homenagem póstuma a uma líder da ruptura do paradigma tradicional na educação, Graciema Pacheco, que implantou, em Porto Alegre, o primeiro Colégio de Aplicação, onde fiz meu estágio antes da formatura em Letras, dezembro de 1964, nove meses depois de formada, na mesma academia, em Jornalismo.

Mas não deixaria de homenagear neste depoimento a formação humanística da graduação que se beneficiava do caldo fértil dos primeiros anos da década de 60 – a formação de uma jornalista na interdisciplinaridade de uma faculdade de filosofia, ciências e letras ultrapassava os horizontes técnicos e tecnológicos. A lembrar professores de Ciência Política como Leônidas Xausa, a bagagem expressiva da escrita na literatura com Pradelino Rosa e Albino de Bem Veiga, a força simbólica da publicidade, com o poeta Sílvio Duncan, sem falar de disciplinas múltiplas das épocas históricas ou da geografia humana. Isso tudo não descuidando da formação técnica, segundo a ortodoxia da gramática jornalística. Já profissional no mercado editorial da capital gaúcha, com exercício continuado na Revista e Editora Globo, justamente o professor de disciplinas técnicas me chamou, em 1967, para atuar no laboratório do Jornal Escola. Ele, catedrático, eu assistente, e os alunos ávidos da iniciação à prática jornalística. Para evitar confrontos, Salvador Bruno comandava a pauta e os textos de reportagem e eu me “refugiava” na diagramação do jornal (área que sempre me agradou). Mas uma inquietude não me deixava: desenvolver com os alunos um simulacro do Jornalismo do mercado não era o que eu entendia por formação universitária. Tanto as fórmulas da captação das informações, quanto as narrativas (nas décadas posteriores viria a aprofundar os significados da Autoria na produção simbólica) não podiam ser estancadas em fórmulas. (Escreveria mais tarde também o pesquisador italiano Gillo Dorfles: as fórmulas se esvaziam e os inovadores criam outras formas, um processo inesgotável na cultura.)

Foi deste incômodo epistemológico-pedagógico que nasceu a decisão de vir para a capital paulista e para a Universidade de São Paulo (USP). E não foi uma migração por melhores condições econômicas, foi o rumo da qualificação que seduziu a família já constituída – o companheiro do curso de Jornalismo, Sinval Medina, e dois filhos, Ana Flávia aos cinco anos e Daniel, um ano e quatro meses. Correra a notícia na Universidade Federal onde trabalhava pela manhã na disciplina Técnica de Jornal e Periódico (à tarde, atuava na revista e na Editora Globo de Porto Alegre): a Universidade de São Paulo (USP) iria implantar o primeiro curso de pós-graduação em Ciências da Comunicação. No fim dos anos 1960, havia, para além dos temores pela repressão que se acentuou em 1968, um êxodo de inteligências para especializações na Europa e nos Estados Unidos. As bolsas para bancar essas qualificações acadêmicas representavam um investimento e muitos pós-graduados não voltavam.  Ao que tudo indica os ventos favoreciam a nova mentalidade – expandir a formação de mestres e doutores nos campos acadêmicos locais. Foi o que ocorreu com a área de agronomia da Universidade de São Paulo (USP), na segunda metade da década de 1960, e a Escola de Comunicações e Artes (ECA) também se alinhou a esses pioneirismos. Em 2022 o pós-graduação completou 50 anos de percurso e, casualmente, sou a primeira mestre formada em 1975.

No inverno de 1970 vim a São Paulo para visitar a Primeira Bienal do Livro e encontrar o escritor então premiado, o argentino Jorge Luis Borges. O trabalho na Editora Globo de Porto Alegre me dera a oportunidade de negociar com Borges a tradução do livro Ficções (1970) no Brasil, além de encaminhar os direitos de toda a sua obra literária na correspondência que estabeleci no fim dos anos 1960. Encontrar o admirado escritor já praticamente cego caminhando nos corredores da Bienal, no Ibirapuera, me emocionou tanto quanto a visita à Escola de Comunicações e Artes (ECA) na Universidade de São Paulo (USP) e conversar com um autor que já havia lido no Rio Grande do Sul, José Marques de Melo, jovem professor e chefe do Departamento de Jornalismo (que nos deixou em 2018). Nesse contexto de figuras emblemáticas, também explodiu o encantamento por São Paulo. Da viagem ao ameno inverno do planalto paulista, julho de 1970, resultou a mudança radical em dezembro, quando deixaria Porto Alegre. Logo em janeiro de 1971, me desliguei de meus vínculos com a universidade gaúcha e a Editora Globo para ser imediatamente contratada no Departamento de Jornalismo da USP. A pós-graduação, motivo do deslocamento, só começaria no ano seguinte. E para essa radical mudança contribuiu também a parceria intelectual e de compromissos familiares de Sinval Medina para nos instalarmos na capital paulista com dois filhos na primeira infância.

Seriam agora, ao todo, 55 anos de meu convívio com o DNA de pesquisa na Universidade de São Paulo, não fora a ação repressiva da ditadura militar que interrompeu de 1975 a 1985 a atual dedicação. Mas, como já disse, não quero me deter em amarguras – de tragédias estamos esgotados na pandemia. Mesmo porque estão registrados os nossos depoimentos (meu e de Sinval Medina) na Comissão da Verdade da USP, em que nos detivemos nesse período de cassações e afastamentos por perseguição política.  Importa, sim, lembrar a ebulição de resistência cultural no período em que mantive as vias preferenciais em curso nos quatro primeiros anos dos 1970: pela manhã, teoria e prática do Jornalismo, a criação do laboratório Agência Universitária de Notícias, sob inspiração do Prof. Freitas Nobre (1921-1990), em que o foco não eram as técnicas de “Jornalismo Informativo”, mas a pesquisa do Direito Social à Informação. Mais do que a liberdade de expressão individual, a busca de uma massa crítica sobre o aprofundamento interpretativo e autoral da mediação social. Esses estudos deram origem ao primeiro livro, A arte de tecer o presente (ECA/USP, 1973), escrito a quatro mãos com Paulo Roberto Leandro, que nos deixou em 2015.

 Se pela manhã, a oficina pedagógica recebia influxos acadêmicos, à tarde, se enriquecia com a prática constante de Jornalismo no Jornal da Tarde ou na Revista Fotóptica e, neste caso, convivia duplamente com Thomas Farkas (1924-2011), colega, professor da ECA e diretor desse veículo de comunicação. Também trabalhei no telejornalismo da TV Bandeirantes e da TV Cultura – muito por conta da parceria com Walter Sampaio (1931-2002), professor pela manhã na ECA e diretor de telejornal à tarde. Para completar a pesada jornada semanal, à noite, voltava à USP para cumprir o terceiro turno nos estudos das 14 disciplinas de pós-graduação, na primeira formação de mestres no Brasil.

Nessa trajetória dos anos 1960 aos 1970, os alicerces humanistas e técnicos da graduação se ampliam no conhecimento fenomenológico das Ciências da Comunicação. No conjunto dos estudos da Semiologia, incursões de Eduardo Peñuela, nas raízes históricas aprofundadas por Vergílio Noia Pinto, nas vertentes artísticas cruzadas com o Jornalismo, disciplinas fundantes de Sábato Magaldi ou Décio de Almeida Prado – fontes inovadoras da formação multidisciplinar que inspiraram as primeiras dissertações de mestrado em Ciências da Comunicação na ECA/USP (infelizmente já nos deixaram). Por exemplo, o teatro de Nelson Rodrigues, tema preferencial de Sábato Magaldi, além de nos proporcionar na ECA um encontro presencial com o autor, me abriu a possibilidade de um mergulho epistemológico na peça “Boca de Ouro”; e com Décio de Almeida Prado, me permitiu a exploração do repórter João do Rio. Minha paixão por cinema foi também reforçada pelas aulas de Paulo Emílio Salles Gomes, um mergulho brasileiro no que hoje chamo de Gesto da Arte, tão necessário como o Gesto Científico. 

Era assim: os professores mais sensíveis e sábios permitiam que nós, os alunos do curso de pós-graduação e, ao mesmo tempo, professores na graduação, pesquisássemos temas com um recorte ligado aos nossos projetos de mestrado. Nesse sentido, tantas seriam as homenagens póstumas… Uma delas, muito especial, ao antropólogo Egon Schaden que foi de tal forma criativo e dedicado a ponto de bancar com seus próprios recursos uma viagem ao Canadá para discutir com McLuhan a implantação pioneira na ECA/USP da Antropologia da Comunicação. Com ele, nosso grupo de pesquisa desenvolveu estudos de campo numa comunidade (Capelinha) não eletrificada para descrever por meio da nova metodologia da Antropologia Visual o contexto sem televisão. A proposta era posteriormente visitar esses mesmos sujeitos de pesquisa quando chegasse a eletricidade e as redes televisivas, o que não foi possível por causa da interrupção repressiva de nossos trabalhos em 1975. Mas seja em São Paulo, seja em convívios fora do Brasil com o professor Schaden – por exemplo, no interior do Equador quando me dediquei à especialização no Ciespal, Quito, 1972 – muito aprendi de trabalho de campo e teorias da cultura que convergiam com as interrogantes da reportagem jornalística e da responsabilidade social do repórter, um leitor cultural como proporia em um congresso internacional, na antiga Iugoslávia, em 1990.

Um tempo de plantio e de adesão permanente aos estudos, com imediata aplicação ao ensino-aprendizagem na formação e no exercício do jornalismo. A bibliografia nacional, latino-americana e internacional era descoberta no dia a dia dos primeiros anos de 1970. A introdução de minha dissertação de mestrado, hoje com várias edições no livro Notícia, um produto à venda, Jornalismo na sociedade urbana e industrial reúne alguns desses autores que procurei até mesmo em livrarias de Barcelona, de Paris ou de Londres, em viagens profissionais durante os três anos de mestrado. Recentemente, escrevi uma das memórias desses convívios e leituras: felizmente entre nós, saudei há pouco os cem anos de Edgar Morin. (Texto publicado no Jornal da USP). 

O mergulho na cultura latino-americana também acontece por conta da especialização de 1972 em Quito, Equador, no Centro Internacional de Estudos Superiores  para a América Latina (CIESPAL). Além dos dois meses de convívio e pesquisa com jornalistas e professores internacionais, estendi, por conta própria, viagens ao interior, nos Andes, ampliei os estudos na Colômbia no terceiro mês e, de passagem, faria contatos no Peru. Na década anterior, ainda residente em Porto Alegre, já conhecia Uruguai e Argentina. Os laços com os países hispano-americanos só aumentavam e, não fosse a interrupção da atividade na USP de 1975 a 1985, prosseguiria no envolvimento acadêmico com o tom maior da época, a defesa do Direito Social da Informação, em que os pesquisadores latino-americanos foram pioneiros.

 Ao ficar dez anos afastada da universidade de minha preferência, levei para o jornalismo na empresa O Estado de S. Paulo o legado da pós-graduação que hoje completa mais de meio século. Talvez por isso me entregaram uma editoria de artes e me escolheram para repórter especial no período intenso da reconstrução democrática no País. Reconstrução essa que me impeliu ao doutorado e ao retorno à docência e pesquisa na USP em 1986, em tempos de anistias. Com a implantação do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (Prolam), área pioneira da Universidade de São Paulo, em 1988, logo estaria oferecendo disciplinas e orientação, em paralelo ao Programa de Pós-Graduação da ECA. Ao longo dos anos 1970, como pesquisadora do Ciespal, além de voltar a Quito, também frequentei seminários e centros de pesquisa no México e na América Central. Só visitei pesquisadores do Chile, após a queda da ditadura Pinochet, mas de longe mantinha contatos com os parceiros do Direito Social à Informação ou a Nova Ordem da Informação como, entre eles, Fernando Reyes Matta.

Do século passado ao presente nem mesmo a aposentadoria (em 2011) interrompeu a entrega integral não à carreira pela carreira, mas aos projetos desafiadores. Em 1987, começaria a série São Paulo de Perfil, 27 livros-reportagem com os alunos de graduação de Jornalismo, alunos do pioneiro programa da terceira idade na USP, e colaboradores ou alunos de pós-graduação. Uma ou duas edições por ano, a coleção desenvolveu até a primeira década do século XXI itinerários que desbravam, na reportagem-ensaio, histórias de vida, marcas de identidade cultural e contextos de São Paulo. Nos cursos de pós-graduação da ECA e do Prolam mestres, doutores e pós-doutores, meus parceiros da Epistemologia do Diálogo Social, contribuíram para a quebra de fronteiras disciplinares. A partir do primeiro seminário transdisciplinar que promovi em 1990, cria-se a série Novo Pacto da Ciência, hoje com doze exemplares e em edição o 13º título que celebra 35 anos do Projeto Plural. Nas trilhas da crise de paradigmas, tem se mediado um debate sobre o discurso fragmentalista da ciência e constituído cruzamentos epistemológicos enriquecedores entre físicos, químicos, matemáticos, médicos, psicanalistas/psicólogos, sociólogos, antropólogos, geógrafos, engenheiros, educadores, arquitetos, filósofos, artistas (lato senso) ou comunicadores. Essa iniciativa que vai além da interdisciplinaridade e alcança pontes transdisciplinares nasce na ECA/Prolam no início da última década do século passado e se espraia em outras universidades com a publicação de seminários e textos de ensaístas que compõem as edições da série Novo Pacto da Ciência.

No espaço disciplinar, me dediquei à produção simbólica das Narrativas da Contemporaneidade, laboratório que tem sido também oferecido a idosos. Os livros da série Reproposta não podem esquecer a homenagem póstuma a Ecléa Bosi, pioneira do Programa Universidade Aberta à Terceira Idade (1994) e hoje nomeado Programa USP 60+. Acrescente-se Alfredo Bosi, companheiro de Ecléa, que nos deixou em 2021, e tanto nos inspirou nas teorias culturais e na literatura. E por falar na ensaística dessa área de Bosi, retorno ao curso de Letras em Porto Alegre e a âncora de pesquisa que nos chegava de São Paulo: a obra fundante de Antônio Cândido (1918-2017). Muito depois tive o privilégio de sua interlocução no concurso de livre-docência na USP (1989) e um solidário diálogo sobre a proposta de leitura cultural que apresentei na tese Povo e Personagem, livro publicado em 1996.

Sigamos, pois, enquanto a vida permitir e não se apagarem as memórias do universo lúdico dos afetos ou dos domínios do ser pensante.

Cremilda Medina

São Paulo, 6/02/2022.

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